terça-feira, 6 de maio de 2014

A primeira vez dela!

            A semana demorou a passar para aquela jovem menina, os dias pareciam ser tão longos que as 24h diária pareciam não ter fim, tudo isso porque ela tinha uma grande responsabilidade entregue pelos seus líderes.
         Ansiosa, parecia suar frio, contudo, percebia-se que não era um suor de calor e, sim, um suor de temor, pela incumbência que lhe fora entregue dias anteriores, provavelmente numa das reuniões semanais do seu grupo. A missão daquela jovem então era de entregar uma palavra à Igreja.
        Pode parecer fácil para muitos que já tiveram ou têm contato com o púlpito diariamente, o que prejulgo que não, mas até chegar o seu dia de liberar uma palavra vinda da sua intimidade com Deus, o seu sistema nervoso provavelmente não estava nos seus dias de mais descanso, pois ela sabia, acima de tudo, do seu comprometimento com a obra de Deus.
           Suponho, ainda, que antes de buscar algo que pudesse ser repassar à igreja, a jovem menina buscou algo que chamasse muito sua atenção. Dito e feito, uma de suas primeiras palavras em púlpito fora que o texto na qual ela escolheu fala profundamente com ela e, que por isso, e pela fidelidade de Deus com nossas vidas, iria transmitir à Igreja.
            Destarte, como disse anteriormente, escolheu a jovem menina o escrito relacionado à fé e confiança em Deus, àquela confiança que excede a toda explicação e que muitas das vezes é difícil de explicar – apenas de sentir! Digo mais, sem muitos clichês, a explanação girou em torno de alguns rapazes, para ser mais exato, três jovens, que não se prostraram diante da imagem de outros deuses, aludindo a história de jovens que mesmo sendo pressionados por um Rei, preferiram seguir a Deus, seguir seus ensinamentos e sua fé. A história então fora de Sadraque, Mesaque e Abednego, os três jovens na fornalha.
            Quando àquela jovem começou a explanar o que tinha para repassar a igreja, confesso que olhei em minha volta e poucas pessoas deram atenção para ela, talvez pelo receio de que ela era nova e poderia não vir algo com muito impacto ou por ser sua primeira vez em um púlpito, embora cantasse frequentemente, era sua estreia apresentando uma palavra à igreja.
           Ab initio, fiquei um pouco triste com a recepção do povo que estava ali a ignorando, mas percebi que era em vão fazer algo que os lembrassem de que nossa adoração a Deus vai muito além de uma hora de ministração de louvor ou pregação, tão pouco tem hora para começar e acabar, mas é lastimável pensar que existem pessoas que vão para um lugar que tem como objetivo se entregar a Deus, e simplesmente ignoram a presença dEle, como se Ele fosse algo retornável onde quando fosse conveniente o colocam numa gaveta, e quando achassem a hora certa, abririam àquela gaveta, pegariam Deus, o colocassem em um altar, e começariam a adorá-lo como se nada tivesse acontecido.
            O termo adoração em latim é “adorare”, significa falar com, no sentido de ter comunhão com algo, no nosso caso, com Deus. E para ter comunhão com Deus é necessário está atento ao que Ele está falando, suas conversas e risadas no culto não vão te levar a grande intimidade com Ele.
            Enquanto ela falava, percebi que lá fora, a chuva em gotas finas caia, e sua forma líquida molhava os carros e tudo que estava sobre a superfície, quem estava dentro da igreja nem imaginava que um belo fenômeno meteorológico ocorria do outro lado da janela.
            Para os que estavam atentos, a palavra dado por aquela menina, nos lembrou da fidelidade de Deus para com os jovens que não se prostraram diante do Rei Nabuconosor.
           A história conta que esse mesmo Rei construiu uma imagem em ouro com sessenta côvados de altura e 6 de largura, o que seria algo em torno de 27 metros de altura por uns 2,7 de largura, uma grande estátua onde as pessoas de Dura, na província da Babilônia, deveriam se prostrar quando ouvissem o som da trombeta, das flautas, ou de qualquer espécie de instrumentos de música, caso assim não o fizessem, seriam lançados numa fornalha ardente (Daniel 3.5-6).
            A narrativa continua dizendo que após negarem adorar a estátua criada pelo Rei Nabucodonosor, os três jovens foram lançados na fornalha, confiantes que o seu Deus os livraria da morte. E foi exatamente como aconteceu, os soldados que os lançaram na fornalha morreram, mas os três jovens não. O Rei ao perceber que os jovens continuavam vivos, viu que os mesmos caminhavam tranquilamente dentro da fornalha ardente de fogo, e que ainda tinha um quarto homem, semelhante ao Filho de Deus (Daniel 3.25).
        O Rei então mandou tirá-los de dentro da fornalha e, prostrou-se diante do nosso Deus, o reconhecendo como único merecedor de toda adoração. Que nosso aprendizado com esses três jovens, possa girar em torno da fidelidade, confiança e intimidade com Deus. Nunca se esqueça de que ser fiel significa não se prostrar diante de outros deuses, sejam eles quais foram que estejam te abalando neste momento, renuncie a tua vida por amor a Deus, vai valer a pena.
             Ah, e não se esqueçam, a fornalha fora aquecida 7 vezes mais.

            Que Deus te faça entender quão grandiosa obra Ele tem contigo.

Ósculos Santo, meus amigos.

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